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JORNAL ELETRÔNICO PAGINAPUBLICA.COM - 2009 - EXCLUSIVO: Austeridade foi fundamental para mudanças na Assembléia, diz Jesualdo Pires - Redação : paginapublica@hotmail.com
 
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EXCLUSIVO: Austeridade foi fundamental para mudanças na Assembléia, diz Jesualdo Pires
21/11/2009 - Politica
 
 
O primeiro secretário da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia, deputado Jesualdo Pires (PSB-Ji-Paraná) recebeu na última quinta-feira, 18, em seu gabinete, a equipe do site Paginapublica.com onde concedeu entrevista exclusiva. Confira na íntegra.
 


 
 
Josimar Pontes, Paginapublica.com / Expresso da Cidade – Deputado, a Assembléia acumulou alguns escândalos no passado, o senhor acha que nesses três anos da atual legislatura, o Parlamento conseguiu retomar a credibilidade?

Jesualdo Pires – Acho que sim. Fizemos um trabalho muito duro desde o início do mandato. Sou primeiro secretário desde o primeiro dia dessa atual legislatura e juntamente com a Mesa, e o presidente Neodi, a gente sempre tentou fazer um trabalho de austeridade, de contenção de recursos e dar credibilidade a Assembléia. Esse foi o nosso principal objetivo. E tanto é verdade que conseguimos economizar em 2007 e 2008 cerca de 60 milhões de reais que foram devolvidos ao governo do Estado. Então, graças a esse trabalho de austeridade, seriedade e contenção de despesas conseguimos uma grande economia que foi revertida para o governador que pôde aplicar em outras ações necessárias.

Josimar Pontes - Quais foram as medidas adotadas pela Mesa para que se pudesse reorganizar a Casa?

Jesualdo – Principalmente tivemos um grande impacto na folha de pagamento. Nós tínhamos uma questão de servidores fantasmas, servidores que não trabalhavam na Assembléia, servidores que ganhavam salários muito altos. Fizemos uma contenção muito séria na emissão de diárias, passagens aéreas, despesas correntes do legislativo, mas principalmente na contenção de pessoal, adequando a Assembléia para Lei de Responsabilidade Fiscal. Conseguimos reduzir um valor muito significativo em despesa de pessoal. Graças a esse trabalho difícil, porque quando você vai demitir alguém você tem barreiras, dificuldades, interesses em jogo, mas de qualquer forma foi um trabalho bem sucedido e que a gente conseguiu reduzir bastante o custo da mão de obra dos servidores, principalmente dos servidores comissionados que haviam aqui e daqueles servidores estatutários que não trabalhavam. Então existiam vários servidores que moravam em outros estados, moravam até em outros países e que a gente conseguiu fazer essa contenção.

Josimar Pontes - O Legislativo tem uma relação amigável com o Executivo e isso gera muitas críticas. Qual sua análise?

Jesualdo – Acho que são críticas infundadas. Hoje o Parlamento apesar da independência que existe, tem sido um poder e muitos criticam a Assembléia pela agilidade quando deveriam está elogiando. Muitos dizem que a Assembléia aprova projetos com muita rapidez, só que em outros tempos os projetos de lei ficavam aqui às vezes um ano, seis meses para serem aprovados, e por interesses. Muitas vezes havia aquele jogo de dificultar a aprovação de projetos para que houvesse algum tipo de benefício. Não existe mais isso. Atualmente a Assembléia vota realmente os projetos de interesses do Estado. Não são projetos de interesse do governador. Nós aprovamos projetos de interesse da população. E, na política quando os políticos “brigam” os grandes prejudicados não são eles. Se eu brigar com o governador ou com o prefeito de alguma cidade, não serei eu o prejudicado porque o meu salário virá normalmente todo mês, o salário dos meus assessores da mesma forma. Quem sai prejudicada é a população. Tenho sempre dado um exemplo de que a política é como se fosse um casal que briga com filhos. Quando um casal briga, se separa, há uma desunião os grandes prejudicados são os filhos. Na política da mesma forma. Essa harmonia que existe entre os poderes, principalmente entre Assembléia Legislativa e o Executivo, só têm trazido benefícios para o Estado. Rondônia hoje cresce a taxa de 15% ao ano, quer dizer, é o Estado que mais cresce em relação à média nacional. Por quê? Porque há um desenvolvimento econômico. O desenvolvimento econômico acompanha o desenvolvimento da política. Se não tem uma política saudável, não tem pessoas que se preocupam com responsabilidade, o estado só atrasa. Estamos passando uma fase muito boa em termos de desenvolvimento, geração de emprego, de renda, principalmente pela harmonia que existe entre Assembléia e Poder Executivo. Então quando se critica a Assembléia que aprova os projetos, e muitos dizem que a gente aprova projetos na calada da noite, não é isso, é porque nós trabalhamos muito. Terça-feira retrasada foi um exemplo clássico. Ficamos aqui praticamente até 11 horas da noite aprovando projetos porque na quarta-feira foi promulgada a PEC da Transposição e havia a necessidade de aprovação de vários projetos de interesse dos servidores. Então ficamos aqui como normalmente acontece, as comissões funcionam, trabalham. Essa Legislatura trabalha se dedica. A maioria dos deputados é muito assídua, vem na Assembléia fazer seu papel, a sua responsabilidade, enfim, tudo isso traz benefício para a população. Acho que essas críticas quem fazem são aqueles que querem o quanto pior melhor. Aqueles que querem que realmente o Estado vá para trás, que haja uma briga na Assembléia, que haja uma briga entre os deputados e o governador, que haja uma briga entre os deputados e o Poder Judiciário. Eu não era deputado, mas lembro que projetos importantes como Promec, ficavam barrados aqui por seis meses. Existe época para executar obras de terraplanagem. Você não pode ficar parado, a chuva não fica esperando o parlamento. Então tem projetos que precisam ser aprovados com agilidade para que os benefícios sejam alcançados.

Josimar Pontes - A ALE tem procurado diálogo com outras instituições como sindicatos, associações e cooperativas?

Jesualdo – Tem, dentro da medida do possível. Quando somos procurados temos sempre conversado. Por exemplo, o Sintero que é um sindicato bastante crítico tem tido um diálogo muito franco aqui dentro da Assembléia, tanto que dois projetos recentes enviados pelo Executivo nós não aprovamos a pedido do Sintero. Tivemos agora um projeto aprovado sobre insalubridade, onde já fomos procurados por agentes penitenciários reclamando do projeto. Então quando há uma reciprocidade, ou seja, quando o sindicato nos procura também a gente sempre busca esse diálogo. Acho importante que o Parlamento dialogue com todos os seguimentos, sindicatos, associações no sentido de atender da melhor forma possível essas entidades. 

Josimar Pontes – A situação dos municípios ainda é muito precária. A Assembléia tem procurado de alguma maneira ajudar esses municípios a mudar essa realidade?

Jesualdo – Sem dúvida. A primeira coisa que eu queria deixar bastante claro porque é um tema bastante profundo, uma questão que tenho sempre batido como deputado e não é minha alçada, deveria ser o congresso, é a questão da distribuição dos tributos no país. Existe uma distribuição muito errada, perversa dos tributos. Se você pegar o bolo de 100% dos tributos que são arrecadados no país, cerca de 65% vai para a União, cerca de 20% para os estados e só 15% para os municípios. Existe uma inversão de valores porque os problemas que existem na saúde, na educação, na pavimentação de ruas, são dos municípios. As pessoas moram no município, a rua está no município, o posto de saúde está no município, a escola está no município. Então os problemas estão nos municípios. De outra forma a arrecadação é feita nos municípios. Os supermercados, a indústria, estão localizados nos municípios. Quando você compra um produto o imposto está sendo gerado no município. Hoje há uma inversão, o governo federal fica com a parte do leão, o estado com uma parte pequena e o município com uma menor ainda. Então há uma grande dificuldade nos gerenciamentos dos municípios e estados também. A vida dos prefeitos é de “indas e vindas” para Porto Velho, no caso de Rondônia, e nos outros estados à suas capitais, buscando recursos junto aos governos, junto aos parlamentos estaduais e principalmente a Brasília. Os prefeitos de Rondônia não passam um mês sem ter que ir duas ou três vezes a Brasília, porque não têm recursos para gerenciar suas cidades. E aí, quando você vê uma propaganda do governo federal ou de um parlamentar federal dizendo que trouxe emenda de Brasília isso é mentira. Porque esse dinheiro é nosso. Ele vai para lá depois volta em forma de migalhas como se fosse uma doação, como se Brasília produzisse aquela riqueza, o que não é verdade. Brasília não produz um quilo de carne, um litro de leite, eles não têm produção de nada. Mas em compensação todos os problemas estão nos municípios. Acho que o sistema tributário tem mudar radicalmente no Brasil. Os municípios têm que ser priorizados, os estados e depois a União, como existe em alguns paises europeus. Nesses países quem arrecada é o município, parte vai para o estado e outra para a União. É um sentido inverso. Com relação à pergunta, o Parlamento tem ajudado sim os municípios. A grande preocupação nossa é ajudar os prefeitos. Essa semana mesmo eu tive a visita de uns dez prefeitos. Temos sempre os ajudado através de emenda, com o governador Ivo Cassol, através de sensibilizar um deputado federal que seja parceiro. Então esse trabalho tem sido feito só que é muito difícil de fazer porque as demandas dos municípios são muito grandes. O prefeito hoje praticamente administra o orçamento só em função da folha de pagamento. Por exemplo, um município pequeno que arrecada um milhão por mês, como Presidente Médici, que tem 30 mil habitantes aproximadamente, a folha de pagamento é de quase R$ 800 mil. Então o prefeito não consegue investir no município. Ele precisa estar o tempo todo correndo atrás de deputado, senador, governador para poder manter a maquina funcionando.

Josimar Pontes – Inclusive o senhor tem ajudado bastante a região de Ji-Paraná, principalmente na área de saúde, que de forma indireta contribui positivamente para o restante do Estado.

Jesualdo – Na Assembléia Legislativa temos 24 deputados e cada um tem uma área de atuação. Tem deputado que representa mais a área de Vilhena, outro ligado à região de Pimenta Bueno, Jaru, Ariquemes, e eu sou um deputado ligado mais a região central que é Presidente Médici, Ji-Paraná, Urupá e etc. O Parlamento tem essa característica de cada deputado representar uma região, o que significa que não esteja atento aos grandes temas do Estado. Tivemos um avanço muito grande porque a Assembléia debate os grandes temas do Estado desde o primeiro dia. A transposição é um caso típico, onde teve ação fundamental em audiências públicas, visitas em Brasília, na ajuda para o deslocamento dos servidores, na pressão, no bom sentido, que fizemos nos deputados federais. A questão do gasoduto Urucu-Porto Velho, o licenciamento ambiental das usinas, a regularização fundiária na questão do código florestal e a dívida do Beron. A Assembléia passou a ser participativa. Fora esse foco regional que cada deputado tem em ajudar seus municípios mais próximos, a Assembléia tem feito esse trabalho muito grande de audiências públicas, debates de temas que interessam a população de Rondônia. Esse é um diferencial muito importante que vejo na atual legislatura. A Assembléia não ficou somente nos assuntos locais, provincianos.      

Josimar Pontes – Que impactos terá Rondônia com a possível cassação do governador?

Jesualdo – Eu digo com certeza que haverá muitos impactos negativos. Acho que a cassação do governador agora nesse momento, faltando um pouco mais de um ano para terminar seu mandato vai se criar uma séria instabilidade. Isso a gente já está notando e temos exemplos de outros estados. No estado do Maranhão, por exemplo, eu tenho notícias que a troca do governador tem resultado em grandes prejuízos. Tocantins está tendo grandes dificuldades. Porque lá houve um problema muito sério de loteamento de cargos; lá houve uma eleição esquisita na Assembléia Legislativa. Hoje temos o problema da Paraíba. Ou seja, todos aqueles estados que tiveram essa descontinuidade administrativa estão sendo penalizados. Acho como fator negativo. Agora, a justiça eleitoral é que tem que definir isso. Não sou eu que vou dizer se está certa ou errada a decisão. Eu digo que é uma decisão que se acontecer vai ser negativa para o Estado. Pode marcar que daqui a seis meses, caso aconteça a cassação do governador, o que pode acontecer com o estado em termos de impactos econômicos, o prejuízo que podemos ter nesse ano e no ano subseqüente. Vejo com muito negativismo, torço para que não aconteça. Se acontecer temos que acatar, a justiça é soberana, é um órgão independente e deve ser respeitado. Mas de qualquer forma a minha posição pessoal é de que se acontecer isso com certeza quem vai pagar o pato, a conta maior é a população.


Josimar Pontes – Em caso de cassação, a Assembléia já tem medidas adotadas?

Jesualdo – Não. Na verdade ninguém conjectura nessa possibilidade. A gente espera uma decisão da justiça e que seja favorável a continuidade. Não estou dizendo nem em torno do governador Ivo Cassol, se é A, B ou C, mas em função de Rondônia. É importante que o Estado não tenha essa descontinuidade administrativa. Seria muito ruim para o Estado ter que trocar governador agora, trocar todo secretariado e principalmente por um mandato tampão de um ano e pouco. Vejo com muita preocupação isso em prejuízo ao Estado. Até o momento ninguém especulou sobre isso, acho que a gente tem que aguardar o momento certo. Se houver a necessidade da Assembléia se manifestar nós estaremos de forma soberana para cumprir nosso papel constitucional, mas esperamos que isso não aconteça.

Josimar Pontes – A construção da nova sede da Assembléia tem sido criticada até mesmo por deputados.  Mas, polêmicas a parte, o que esse projeto representa de positivo?

Jesualdo – Em primeiro lugar gostaria de dizer que esses deputados que criticam a construção da sede têm argumentos muito frágeis. Eles têm dito até de forma demagógica que esse dinheiro deveria ter sido revestido para construção de um hospital. Se fosse assim, se essa postura deles fosse coerente deveriam ter criticado, por exemplo, o governo do estado que está construindo o CPA, aqui em Porto Velho. Então o governo do estado deveria deixar de construir o CPA e construir cinco hospitais. O Tribunal de Justiça, por exemplo, que tem uma sede imponente, uma sede bonita que foi inaugurada recentemente, também não deveria ter construído sua sede. O Ministério Público que tem um prédio bonito, muito suntuoso, também não teria o direito de ter um prédio, deveria pegar o dinheiro e passar para construir um hospital ou construir uma escola ou fazer outras ações. O Tribunal de Contas da mesma forma tem um prédio e construíram um anexo agora. Então esse argumento de alguns de dizer que o dinheiro deveria ser revestido para outras ações isso é demagogia pura. Primeiro, o Poder Legislativo não tem a função de construir hospital, e se fosse assim ninguém construía mais nada nesse país em termos de prédio público. Se você for pensar dessa forma, todo o dinheiro que fosse investir numa obra pública de um prédio deveria investir na saúde. Por exemplo, o Ministério Público do Trabalho está construindo um prédio grandioso próximo ao Tribunal de Contas. Então, eles deveriam pegar aquele dinheiro e investir em outra área. Então, é um argumento muito frágil e eu vejo muita demagogia nesse discurso. Mas de qualquer forma a obra já foi contratada, já foi dada ordem de serviço para a empresa vencedora da licitação e digo de passagem que essa licitação foi rigorosamente auditada pelo Tribunal de Contas. Nós tivemos o cuidado de desde o início do certame de licitação passar toda a documentação, todos os projetos pelos técnicos do Tribunal de Contas e eles autorizaram a licitação dentro de todo o rigor e responsabilidade que tem o Tribunal de Contas do Estado de Rondônia. Então é importante que se diga que não foi uma obra contratada de qualquer forma. Foi feito dentro dos critérios técnicos do Tribunal de Contas, passou pelo corpo técnico, pelos engenheiros, conselheiros, e tivemos esse cuidado para não ter críticas de que a obra poderia ter sido feita de forma não transparente. Então quero deixar bem claro isso.  A Assembléia Legislativa de Rondônia é o único Poder que não tem uma sede apropriada. O governo do Estado está construindo o Centro Político Administrativo, o Tribunal de Contas construiu um anexo, o Tribunal de Justiça construiu seu prédio próprio, o Ministério Público tem o seu prédio, e por que não a Assembléia que tem um poder importante, que em minha opinião, é o poder que emana do povo. Por que nós não podemos ter esse prédio, inclusive com recursos próprios economizados dentro do nosso orçamento. A gente teve o cuidado de planejar essa obra, cuidado de visitar várias Assembléias no país para ver os erros e os acertos dessas obras. Tivemos por exemplo, na Assembléia do Amazonas que é uma obra nova. Quer dizer, no estado do Amazonas foi construída uma sede nova, e porque os deputados de lá não usaram esse dinheiro para construir um hospital? Então nós tivemos esse cuidado, planejamos uma obra inteligente em termos de economia de energia e vimos principalmente os erros que tinham nessas outras Assembléias, e tivemos o cuidado também de fazer uma obra que além de atender o Poder Legislativo, pudesse atender o público externo. Temos um anfiteatro com capacidade para mil pessoas, independente onde poderá ser usado pela população de Rondônia. Nós quisemos fazer um projeto integrado à comunidade, isso foi uma das preocupações nossa, com espaço de estacionamento bastante grande. Inclusive, vamos ceder parte desse estacionamento para o Tribunal de Justiça que não tem estacionamento. O que eu vejo de importante na compra desse terreno que insisti muito junto ao Exército é que realmente vamos ter um centro político, cívico em Porto Velho, em Rondônia. Ali teremos o Poder Executivo, Poder Legislativo e Judiciário. Tudo concentrado no mesmo local, até para facilitar as pessoas que vem do interior e quem tem que usar os serviços da Assembléia. 

Josimar Pontes – Quase três anos de mandato de Jesualdo Pires. Saldo positivo?


Jesualdo - Bastante positivo. Eu tenho feito um trabalho cuidando dos temas políticos que considero importantes, mas ao mesmo tempo dando apoio a prefeitos, entidades, associações, que têm muitas dificuldades no dia-a-dia. Através dessa parceria que temos com o governo do Estado, praticamente todas as emendas que coloquei nos orçamentos de 2007, 2008, e agora 2009 foram liberadas. A gente tem tido uma parceria no sentido apoiar o nosso mandato e apoiar as prefeituras que a gente indica as emendas. E isso tem dado uma tranqüilidade a mais para os prefeitos poderem gerir seus municípios. Temos feito um trabalho bastante grande, e nesse terceiro ano de mandato tivemos um volume expressivo de recursos e tudo isso tem resultado em ações importantes para municípios, associações rurais, entidades beneficentes que de alguma forma, dentro da nossa possibilidade, a gente tem atendidos.  

Josimar Pontes - Quais suas pretensões futuras?

Jesualdo – Tenho amadurecido bastante. Sou empresário, minha vida privada sempre foi aqui em Rondônia onde cheguei muito jovem, sou engenheiro civil, residente em Ji-Paraná há 26 anos e tenho minha família constituída em Ji-Paraná. Mas de qualquer forma esse primeiro mandato tem sido de um grande aprendizado. A política tem sido para mim uma universidade de tempo intensivo. Tenho dito que todos os anos de minha vida comparados com os de deputado, eu acho que aprendi mais agora do que anteriormente, principalmente no tratamento com as pessoas, em ter habilidades de respeitar divergências e opiniões diferentes. Na política a gente aprende muito isso. De repente por mais esdrúxula que pode ser a opinião de um colega, você sempre tem que ver que é o ponto de vista dele, e você não pode achar que é o dono da verdade. O Parlamento traz isso para gente. São 24 cabeças, cada uma pensando de uma forma diferente, cada uma representando um seguimento da sociedade. Às vezes por mais absurda que seja a idéia, o pensamento de alguém, você tem que respeitar porque na cabeça daquela pessoa aquilo é o certo. Você pode até debater com ele, mas com respeito e tentando convencê-lo da tua idéia. De repente a tua idéia divergente da dele convirja numa terceira idéia que unam as duas. Isso é política. Mas de qualquer forma tenho me dedicado muito ao meu mandato, tenho sido um deputado muito atuante, até pela insegurança que a gente tem por ser o primeiro mandato e de querer mostrar para as pessoas de ter responsabilidade com os votos que tive. Fui o quinto deputado mais votado e tive quase 90% dos votos só em Ji-paraná. Fui o deputado individual que mais teve votos numa cidade. Tive mais de 11 mil votos só em Ji-Paraná. Então a responsabilidade minha é muito grande. Tenho até comparado como se fosse aquela mãe quando tem o primeiro filho. Quer dizer, ela cuida demais da criança, e quando vem o segundo, o terceiro, ela já fica mais tranqüila. Na próxima eleição devo disputar a reeleição para deputado estadual e acredito que as coisas já fiquem mais tranqüilas. Ir para reeleição não é fácil, é um novo desafio. Muitos dizem que a reeleição é mais difícil que a eleição, outros dizem o contrário e eu vou sentir agora. Meu projeto é de reeleição, quero continuar como deputado estadual e futuramente disputar outros cargos, quem sabe para deputado federal ou até arriscar uma candidatura à prefeitura de Ji-Paraná que é um sonho que a gente tem. Estamos trabalhando trabalho com muita intensidade, eficiência e muito rigor para honrar esses mais 12 mil votos que tive.


Josimar Pontes – E o PSB?

Jesualdo – O PSB em Rondônia tem tido um crescimento bastante grande. O partido tem dois deputados estaduais: eu e o deputado Wilber. Temos um deputado federal, que é o doutor Mauro Nazif, um parlamentar que tem uma atuação muito importante na Câmara, onde sua ação foi fundamental na votação da PEC da Transposição. Na eleição de 2008, fizemos 34 vereadores, que é um número muito importante; três prefeitos e alguns vice-prefeitos. Então é um partido que está crescendo no Estado. Para se ter uma idéia: em 2002 tínhamos apenas um deputado estadual. A gente pretende cada vez mais aumentar esse leque. Não temos pretensão esse ano de candidatura nem ao senado, nem ao governo do Estado. E a gente diz claramente porque tem muitos partidos que ficam jogando para tentar negociar. Nós não temos candidatura e seria ridículo eu dizer que hoje nós temos candidatura ao senado, ao governo que nós não temos. O deputado Mauro Nazif é candidato à reeleição, eu sou candidato à reeleição, o deputado Wilber ainda não se decidiu e me disse algum tempo que provavelmente deixa a vida política, que é uma pena, pois é um grande deputado e que tem grande atuação na presidência da Comissão de Constituição e Justiça dessa Casa. Um jovem muito inteligente, advogado, será uma pena se não continuar sua carreira política. Mas estamos preparando as nominatas a deputado estadual, federal. Temos incentivado companheiros de todos os municípios para que saiam candidatos, disputem eleição para a gente tentar ampliar ou pelo menos manter esses dois deputados ou quem sabe aumentar essa nossa base de deputados para o ano de 2010. Manter ainda o deputado Nazif na Câmara Federal que é muito importante para nós, e quem sabe em 2014, com um partido mais estruturado com uma consolidação maior nos municípios a gente possa ter uma candidatura ao governo, ao senado e mais candidatos a deputado. Mas o ano que vem é um ano de consolidação do PSB.

Josimar Pontes – Caso não aconteça à cassação, o vice-governador assume em abril. O senhor não teme que essa mudança seja brusca?

Jesualdo – Não, de forma alguma. O Estado pode ter tranqüilidade que a administração do vice-governador João Cahulla vai ser praticamente igual a do governador Ivo Cassol. Os dois são muito afinados, amigos e parceiros. Não existe atrito entre os dois. Acredito até que o secretariado deva ter uma pequena mudança, apenas. Para Rondônia é muito boa essa continuidade. Porque a continuidade administrativa é muito salutar para o estado, principalmente quando é uma administração que vai bem como é o caso do governador. Ivo Cassol tem batido recorde de aprovação. Eu mesmo tive acesso a uma pesquisa séria em Ji-Paraná, que o índice de aprovação dele é de 91% na cidade, um local que não é o reduto do governador. O Estado tem crescido, mas não podemos dizer aqui que tudo está um mar de rosas, temos ainda muitas dificuldades por falta de recursos. Temos dificuldades na área de saúde dos municípios. Temos problemas na área de saúde aqui de Porto Velho, até por uma questão de a prefeitura faltar com atenção básica, muitos atendimentos que deveriam ser feitos na rede básica são feitos no João Paulo II, que é um hospital de média e alta complexidade que são casos diferentes. Temos dificuldades em todos os setores. Eu falava num programa de rádio em Ji-Paraná, que todo governante quer fazer o máximo possível. Que governador não gostaria de contratar, por exemplo, mais três mil PMs, se está precisando? Qual governador não gostaria de construir dez hospitais e contratar mil médicos a mais? Claro que todos gostariam de fazer isso. Ninguém é tão perverso de falar “não vou fazer isso porque não quero”. Todo ser humano pelo instinto que tem quer o melhor. Sempre fazer o melhor de nós mesmos. Agora, quando um governante deixa de construir hospital, deixa de contratar PMs, de contratar médicos, é porque ele não tem condições de fazer isso. É porque seu orçamento é limitado. É como um pai de família que tem um orçamento de mil reais por mês. Ou seja, se ele comprar um carro financiado por R$ 600 e uma televisão por R$ 300 vai chegar ao final do mês na bancarrota, sem conseguir agüentar pagar. A administração do estado é como se fosse administrar sua casa. Você tem que ter responsabilidades, se você não pode comprar um carro compre uma moto; se não puder compre uma bicicleta. Se não pode morar numa casa grande, more numa casa pequena. Então é assim que funciona o estado. Seria ótimo a gente ter dez, vinte hospitais, mil médicos, dois mil policiais. Agora, há limitações principalmente para aquela questão que falei anteriormente sobre a questão da distribuição de recursos no país. Acho que é uma distribuição invertida.

Josimar Pontes – Três anos de vida pública...

Jesualdo – Estou muito satisfeito. A vida pública é diferente da privada. A gente muitas vezes deixa seus compromissos familiares, seus amigos, pessoas descontentes, porque a política são caminhos que você toma. Às vezes você toma um caminho e nunca agrada cem por cento das pessoas. O que eu sempre coloco na minha cabeça é que eu tento agradar a maioria. Eu sempre tento fazer o que a maioria quer. Então esse é um lema que eu tenho na minha cabeça. Agora, é um balanço positivo, eu tenho uma participação forte aqui na Assembléia. Sou primeiro secretário e tenho funções específicas que só a mim compete. Mas de qualquer forma estou satisfeito, estou animado, gosto da política, e tenho aprendido muito. Política não é fácil, você só aprende praticando. Você não consegue um manual de deputado ou de vereador, só vai aprender vivendo. É a única coisa que existe no mundo que não se consegue aprender numa escola. Sou empresário, formado em engenharia civil e aprendi muitas coisas que nunca aprendi em outras áreas.

Josimar Pontes – Essa semana o noticiário foi dominado por “demissões na ALE”. O que aconteceu, deputado?

Jesualdo – É justamente aquilo que eu falei. Nós temos um sentido de Lei da Responsabilidade Fiscal muito sério. Existem servidores aqui na Assembléia que são estatutários, aqueles que não podem ser demitidos. Uma grande parte desses servidores pode ir para transposição. Então fizemos ajustes e alguns benefícios foram incorporados aos salários desses servidores. Isso aumentou a carga tributária da Assembléia. Então em função dessa carga que aumentou tivemos que diminuir outros setores. Houve infelizmente esses cortes, o presidente que definiu isso, todos nós estamos aceitando com tranqüilidade, porque estamos visando exatamente essa Lei da Responsabilidade Fiscal que a gente persegue dia-a-dia. Hoje pela LRF a Assembléia só pode gastar 1.92% da arrecadação do estado. Esse é o nosso limite. Então com essa incorporação para beneficiar esses servidores a irem para o quadro federal vai haver o esvaziamento e ai a gente tem condições de contratar novos técnicos e etc. Mas por conta disso teve que haver essa redução porque nós não queremos está fora da Lei de Responsabilidade Fiscal. Queremos ser um órgão que cumpre rigorosamente a lei.

Autor : Josimar Pontes
Fonte : Paginapublica.com e Jornal Expresso da Cidade

 
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